O papel do nutricionista aliado a equipes multidisciplinares na prevenção e tratamento de transtornos alimentares é uma poderosa técnica e está cada vez mais em evidência.

Listamos alguns pontos que irão ajudar você a identificar comportamentos, grupos de risco e tratamentos com melhores resultados, e como consequência, trabalhar com maestria nos casos de transtornos alimentares.

 

Mas afinal, qual é o papel do nutricionista na prevenção e tratamento dos transtornos alimentares?

 

Sabemos que transtorno alimentar (TA) é uma doença psiquiátrica com componentes psicológicos, comportamentais e fisiológicos.

Existem diversos tipos de transtornos alimentares definidos pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, que podem variar quanto a sua severidade.

Os transtornos alimentares exigem tratamento interdisciplinar para sua resolução e para a prevenção de recaídas.

Imagine a seguinte situação: você está fazendo estágio em um hospital e precisa tratar pacientes com transtorno alimentar.

Uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos e nutricionistas precisam traçar estratégias coesas com um objetivo em comum: recuperar e reeducar o paciente.

Portanto, essa é a hora que é necessário identificar os “grupos de risco”.

Então, quem pode representar o um grupo de risco e como identificá-los?

 

Os estudos indicam que estão mais propensos os grupos a seguir:

  • Adolescentes
  • Atletas
  • Candidatos à cirurgia bariátrica

Atletas que usualmente seguem dietas restritas direcionadas a controle do peso corporal ou manutenção de massa muscular, constituem, por tal prática, grupo de risco para TA.

A fase da adolescência, na qual ocorrem diversas mudanças corporais, biológicas, psicológicas, e socioculturais, é reconhecida por ser um período de maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de TA.

Intervenções especializadas baseadas na família vêm sendo estudadas nessa fase.

Da mesma forma, outro grupo de risco são os pacientes candidatos à cirurgia bariátrica, que comumente apresentem compulsão alimentar, que persistirá após a cirurgia, desa forma, não sendo recomendado realizá-la.

 

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Por que trabalhar com uma equipe multidisciplinar para tratar transtornos alimentares?

 

É comum que indivíduos com TA experimentem outras doenças psiquiátricas como depressão, ansiedade, transtorno dismórfico corporal e dependências químicas.

No entanto, essa é uma das razões que justifica abordagem integrada e interdisciplinar no tratamento com nutricionista e outros profissionais de saúde, profissionais de saúde mental e médicos especialistas.

O nutricionista precisa de profundo conhecimento sobre a dinâmica psicológica envolvida nos TA e muitas vezes é o primeiro profissional a detectar sinais indicativos de TA.

A chave para o tratamento de transtornos alimentares.

 

A chave do tratamento dietético inclui expertise na atenção nutricional do ciclo da vida em que o indivíduo com TA se encontra e correta aplicação de tratamentos de reabilitação nutricional que levem ao retorno do hábito alimentar saudável.

Em outras palavras, conhecer a história alimentar do indivíduo é imprescindível e a aplicação de técnicas específicas como a entrevista motivacional auxiliam no tratamento.

Acima de tudo, trabalhar alinhado com os demais membros da equipe interdisciplinar, atualização e treinamento em atenção nos TA, auxiliam no alcance dos objetivos do tratamento.

É muito importante que a mensagem emitida pelo nutricionista, verbal ou não verbal, seja compreendida pelo indivíduo com TA.

Acima de tudo, as mensagens do nutricionista devem ser centradas no âmbito da saúde e não no peso corporal, ajudar a promover aceitação corporal e reduzir o risco de TA.

Quais são as terapias com os melhores resultados para transtornos alimentares?

 

Devem haver esforços para identificar intervenções baseadas em evidências que melhorem o tratamento dos TA. Nesse sentido, dentre as terapias que têm mostrado melhores resultados no tratamento dos TA estão:

  • Terapia Cognitivo Comportamental (TCC): Modalidade psicoterapêutica que auxilia os indivíduos na reconstrução do conhecimento sobre determinados comportamentos.
  • Terapia Dialética Comportamental (TLC): Tratamento que trabalha a “troca” de comportamentos de risco por comportamentos esperados.

Da mesma forma, tratamentos alternativos com yoga, manejo de estresse, espiritualidade e religiosidade podem ser usados para reduzir a ansiedade, a preocupação alimentar e distúrbios na relação com a comida.

Portanto, além de participar em limitar a progressão dos casos, pode suportar esforços para evitar complicações e prevenir a ocorrência os TA, uma vez que a relação inadequada com a comida que pode ser engatilhada pela prescrição de uma dieta, por exemplo, pode representar grande risco para o desenvolvimento de TA.

Em conclusão…

 

No entanto, o papel do nutricionista começa na prevenção dos TA, evitando condutas que estimulem insatisfação corporal e o comer transtornado.

Além disso, quando se fala do tratamento do transtorno alimentar já instalado, é essencial reconhecer que para tratá-lo o nutricionista precisa de treinamento específico, que permita desenvolver avaliação nutricional, intervenção e monitoramento, baseado em técnicas cientificamente comprovadas por serem mais adequadas e eficazes para indivíduo com TA.

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Referência:
Ozier AD, Henry BW; American Dietetic Association. American Dietetic Association (ADA).Position of the American Dietetic Association: Nutrition Intervention in the Treatment of Eating Disorders.J Am Diet Assoc. 2011 Aug;111(8):1236-41.

Por: Luiza Antoniazzi @nutri.luiza

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