A restrição dietética é considerada fator relevante para desenvolvimento de transtornos alimentares e da obesidade. Se trata do esforço cognitivo feito por um indivíduo para comer menos do que ele gostaria.

A literatura científica apresenta malefícios e benefícios da restrição dietética, uma vez que ela é indicada para tratamento de várias doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão, diabetes e dislipidemias.

Existem escalas próprias para medir a restrição dietética, como a Restraint Scale (RS), a restraint subscale of the Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ) e a Dutch Restrained Eating Scale (DRES).

É importante saber que a restrição dietética pode ser feita em diferentes intensidades, há o tipo de restrição “tudo ou nada” e restrições mais flexíveis, o que impacta no comportamento alimentar das pessoas submetidas a esses tipos de restrição e consequentemente nos possíveis desfechos.

Modelos etiológicos de transtornos alimentares mostram que a restrição alimentar somada a outros fatores de risco, precipita a ocorrência de compulsão alimentar, purgação e perda de peso não saudável.

 

Restringir pode ser o estopim para os transtornos alimentares?

 

Os autores descrevem uma série de trabalhos publicados na literatura que analisaram diferentes amostras e verificam que realizar restrição e dieta aumentou a chance de desenvolverem transtornos alimentares.

Uma das explicações para isso seria a alimentação contrarregulatória.

Quando uma pessoa que tem uma restrição é liberada da mesma, por exemplo, a pessoa que está em dieta restrita em doces, tem sorvete liberado na sua frente, fica desinibida e não consegue controlar esse consumo.

Esse efeito contrarregulatório pode gerar um ciclo vicioso.

 

Mas quais são os efeitos de uma alimentação contrarregulatória?

 

Pessoas que passam por restrições, por consequência tem mais chance de:

  • Falta de controle
  • Sentir-se culpado
  • Sensação de ciclo vicioso
  • Mais chance de cair em um episódio de descontrole

A restrição tem sido associada com ganho de peso, que pode ter explicações metabólicas, como queda da taxa metabólica basal e compensações hormonais.

O problema pode ficar ainda mais grave se pensarmos que muitas vezes a restrição é apenas uma percepção, uma vez que no mundo ocidental, com abundância de alimentos diversos, com grande quantidade de calorias, as pessoas podem se sentir em restrição alimentar constantemente, sem estarem mantendo restrição calórica.

Fazer restrição não acarreta sempre em piora do manejo de peso, podendo essa relação ser causal para indivíduos com excesso de peso que se mantém habitualmente em situação de restrição ou quanto maior o grau de restrição.

 

Prós e contras da Auto-regulação:

 

Cada um dos estágios do modelo de auto-regulação pode ter pontos positivos e negativos. A auto-monitorização depende muito do conceito de quem a faz, uma pessoa pode achar que está se monitorando, realizando restrição, sem alcançar restrição calórica que não levará a perda de peso.

Por outro lado, em se monitorar uma pessoa pode tomar mais cuidado na ingestão de alimentos com nutrientes menos interessante do ponto de vista da manutenção da saúde e em consequência passar a seguir um padrão alimentar mais desejável.

 

Auto-avaliação e Expectativas

 

A auto-avaliação pode gerar expectativa inalcançáveis, mais ansiedade e descontrole do peso, por outro lado, estudos mostram que indivíduos que pesam-se regularmente conseguem manter o peso adequado em comparação com indivíduos que não se pesam.

O auto-reforço pode ser positivo e contribuir com a mudança alimentar esperada, mas por outro lado se essa pessoa possui o conceito de dieta “tudo ou nada” pode reforçar isso e não favorecer o sucesso do tratamento e assim passar longe dos transtornos alimentares.

São necessárias pesquisas adicionais que permitam definir o perfil das pessoas para as quais a restrição dietética pode ser favorável, e pelas evidências que se tem até gora, a história do peso deve ser determinante, evidenciando o papel do ético do nutricionista nessa análise.

Medidas da restrição dietética com enfoque no esforço cognitivo e não apenas na restrição calórica realizada parecem ser as mais efetivas e para isso pode se empregar as diversas escalas que se propõe a medi-la.

 

Em conclusão…

 

De fato, o artigo de Schaumberg e colaboradores mostrou uma abordagem completa do tema, apesar de apresentar uma critica quanto a realização de restrição alimentar e os riscos que ela pode provocar, manteve o contraponto, incluindo evidências científicas que mostraram resultados positivos alcançados com diversas formas de restrição aplicadas.

Assim conclui e conseguiu passar a mensagem de que não existe uma sentença final da restrição alimentar e ela tem suas indiciações, mas há necessidade que se compreenda melhor quem pode se beneficiar dela antes de aplicá-la de forma irrestrita e populacional.

Deixe seu comentário e nos ajude a enriquecer essa reflexão!

Referência:
Schaumberg K, Anderson DA, Anderson LM, Reilly EE, Gorrell S. Dietary restraint: what’s the harm? A review of the relationship between dietary restraint, weight tranjectory and the development of eating pathology. Clin Obes. 2016;6(2):89-100.

WhatsApp Nutrir Educacional
Enviar